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Governo Lula, entre um Congresso conservador e a reanimação econômica

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Artigo de Rodrigo Cardoso*

Nos últimos meses, temos observado uma série de desafios enfrentados pelo governo do Presidente Lula em sua tentativa de articular suas propostas no Congresso Nacional, fundamentais para a reconstrução democrática do país após os trágicos anos do governo Bolsonaro. É inegável que o atual cenário político no Brasil se apresenta extremamente conservador, o que torna a tarefa de aprovação de projetos e implementação de políticas públicas ainda mais complexa. No entanto, é importante analisar essa situação com cautela e evitar o alarmismo exacerbado que muitas vezes toma conta da grande mídia, que insiste em retratar apenas as supostas derrotas do governo.

Enquanto algumas vozes buscam enfatizar os obstáculos enfrentados pelo governo na esfera política, é fundamental analisar os resultados que vêm sendo detectados no campo econômico.

Os dados divulgados pelo IBGE sobre o Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre de 2023 revelam um crescimento de 1,9% em relação ao final de 2022. Quando comparado com o início de 2022, o aumento chega a 4,0%, o melhor resultado para um primeiro trimestre desde 2011! Além disso, no acumulado dos últimos quatro trimestres, o crescimento atingiu 3,3%, superando o desempenho registrado no último trimestre de 2022, que foi de 2,9%.

Esses números positivos refletem a retomada da produção não apenas no setor agropecuário, mas também em todos os segmentos da indústria e dos serviços.

Do ponto de vista da demanda, destacam-se o crescimento do consumo do governo e das famílias. Imagino que já reflitam o aumento do bolsa família e, em menor grau, da retomada da política de valorização do salário mínimo, bem como de mais negociações salarias com reajustes acima da inflação, que aumentaram de 28%, 21% e 18% nos três primeiros meses de 2022, para 71%, 69% e 74% nos três primeiros meses desse ano, segundo o DIEESE.

No setor externo, as exportações e importações de bens e serviços também apresentaram um crescimento notável. No entanto, é importante ressaltar que a taxa de investimentos no primeiro trimestre foi de 17,7%, ainda consideravelmente baixa, indicando a necessidade de políticas que estimulem o aumento dos investimentos no país.

Um dos fatores que impulsionaram o aumento do consumo das famílias foi o crescimento da massa salarial. De acordo com os dados da PNAD-C referentes a abril, a taxa de desemprego foi a menor para o mês desde 2015, atingindo 8,5%. Esse valor é inferior ao registrado em abril de 2022, que foi de 10,5%. Além disso, nos últimos 12 meses, houve um aumento de 1,6 milhão de empregos. O rendimento médio real dos ocupados teve um crescimento de 8%, chegando a R$ 2.946. Esses números demonstram um crescimento real da massa de rendimento do trabalho efetivamente recebido pelos trabalhadores ocupados.

Diante desses dados econômicos positivos, é necessário reconhecer que o governo do Presidente Lula está obtendo resultados significativos, mesmo diante das dificuldades de articulação política enfrentadas no Congresso. É verdade que o cenário conservador e as resistências ideológicas têm gerado obstáculos para a implementação de certas políticas. Não é pouca coisa a restrição às atribuições dos ministérios do Meio ambiente e dos Povos Originários, bem como a aprovação do marco temporal para a demarcação de terras indígenas e as restrições acrescentadas ao novo regime fiscal. Será necessário para o campo progressista aglutinar forças com o conjunto da sociedade para evitar a consolidação de algumas dessas medidas e reverter outras.

Mas é fundamental manter uma perspectiva equilibrada, reconhecendo os avanços conquistados, especialmente no campo econômico, que indicam um avanço do país na direção certa e mostram que as políticas adotadas estão surtindo efeito e beneficiando a população. O crescimento do emprego, o aumento da renda e a recuperação da produção são conquistas que merecem destaque e que têm impacto direto na vida das pessoas.

Além disso, é importante lembrar que a política é um jogo complexo, e os interesses divergentes acabam se exacerbando em momentos de crise. E não é pequena a crise institucional que vivemos, ao menos desde 2013, como consequência política da crise estrutural do Capital, da decadência relativa da potência imperialista hegemônica e da emergência do mundo multipolar.

Portanto, é essencial que o governo continue buscando o diálogo e a construção de alianças políticas e com o conjunto da sociedade, de forma a superar os obstáculos e avançar com suas propostas.

Para as forças sociais interessadas na reconstrução do país e na defesa da democracia, também é essencial retomar as mobilizações populares que podem contribuir no debate político com o conjunto da sociedade e se tornar fundamental para buscar a alteração na correlação de forças e melhorar as condições para que o governo do Presidente Lula consiga promover transformações positivas e contribuir para o crescimento e o desenvolvimento do Brasil.

*Rodrigo Cardoso
Bancário, membro do Comitê Estadual do PCdoB

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