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Materno-Infantil e Costa do Cacau realizam Mutirão Quilombola em Itacaré com mais de mil atendimentos

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No nono mês de gestação, Ariele Santos passou pelo exame de ultrassonografia na UPA de Itacaré, no sul do estado. Saiu da sala emocionada ao ouvir os batimentos cardíacos da filha e saber que está tudo em ordem com a gestação. “Diminuiu muito a minha ansiedade. Está chegando a hora”, revelou. A cinco quilômetros dali, no Hospital Municipal de Itacaré, a quilombola M.G.S, de 64 anos, passava por uma pequena intervenção cirúrgica para a retirada de uma exérese de cisto sinovial, um procedimento realizado através de uma incisão em cima do cisto, retirando-o por completo. A ação simultânea só foi possível graças à união das duas maiores unidades hospitalares do estado na região, que comemoram aniversário agora em dezembro e são referências no atendimento ao Sistema Único de Saúde do sul da Bahia. O Hospital Materno-Infantil Dr. Joaquim Sampaio e o Hospital Regional Costa do Cacau realizaram em parceria o Mutirão Quilombola de Itacaré. Com uma população estimada em 27 mil habitantes, segundo o Censo do ano passado, Itacaré conta com cerca de cinco mil quilombolas, distribuídos em comunidades nas áreas rural e urbana do município.

Durante todo o dia, o mutirão resultou em mais de mil atendimentos, em especialidades como cardiologia, pneumologia, pediatria, obstetrícia, ginecologia, cirurgia pediátrica, clínico geral, cirurgia geral, nutricionista e assistência social, além dos serviços de USG, ECG, inserção de DIU, preventivo, testes rápidos, aferição de pressão arterial, de glicemia e imunização para crianças. O diretor médico do HMIJS, Samuel Branco, revela que das 40 consultas realizadas com cardiologista, quatro foram encaminhadas para cirurgia no Hospital Regional Costa do Cacau; e dos 14 atendimentos com cirurgião pediátrico, nove foram agendados para cirurgia no Hospital Materno-Infantil Joaquim Sampaio. Foram realizados ainda 20 procedimentos de pequenas cirurgias, 20 inserções de DIU de cobre, 85 USG, entre outros procedimentos.

*Opções e gratuidade*

“Vim para ter uma consulta de pediatra para o meu filho. Descobri o procedimento para a inserção de DIU. Isso aqui facilitou muito a vida de muita gente”, elogiou a quilombola Beatriz. Moradora do Quilombo Porto de Trás, o único urbano de Itacaré, Cecília destacou a possibilidade de se fazer exames gratuitos, “que seriam impossíveis numa outra circunstância, pelo alto custo deles”. Turíbio foi incisivo: “uma das coisas mais importantes que já vi em minha vida”. Membro do Conselho Quilombola de Itacaré, Aliane Nascimento Gomes, uma das contempladas pela iniciativa, destacou a importância com a prevenção e o cuidado. “Apoiamos a atitude e abraçamos a causa”, emendou.

O Mutirão Quilombola de Itacaré foi uma iniciativa do HMIJS e do HRCC, através das instituições que administram as unidades – respectivamente Fundação Estatal Saúde da Família (FESF SUS) e o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento da Administração Hospitalar (IBDAH) -, com apoio da Secretaria Estadual da Saúde, Faculdade Afya e Prefeitura de Itacaré. Diretor Adjunto da FESF, André Nascimento destacou a importância da ação social. “A demanda reprimida com parceria com a municipalidade agora se sana”, disse. Para a diretora do HMIJS, Domilene Borges, essa foi uma importante e histórica ação conjunta para fortalecimento da saúde da região. “E essa parceria ajuda a estreitar o acesso à saúde”, reforça a diretora do HRCC, Cristine Câmara. As duas também destacam o sentimento de voluntariado dos colaboradores das duas unidades, que se dispuseram a comparecer gratuitamente ao evento.

*Construção de um SUS cada vez mais forte*

“Essa é verdadeiramente uma construção para ampliar o serviço de saúde no território”, assegura o diretor-médico do Materno, Samuel Branco. A união destes dois hospitais é importante para o sul da Bahia, visto que são os hospitais que têm a maior quantidade de serviços ofertados 100 por cento SUS para o sul da Bahia”, reforça. Para a secretária municipal de Saúde de Itacaré, Andreia Palafoz, o mais importante foi poder contar com especialidades e procedimentos que não constam no rol de serviços ofertados diariamente pelo município.

Coordenador do Comitê de Prevenção e Combate ao Racismo Institucional da Fundação Estatal Saúde da Família (FESF SUS), Saulo de Tarso, também esteve presente acompanhando a iniciativa. Nesta segunda-feira (20), comemora-se o Dia da Consciência Negra. Ele aproveitou para destacar que o mutirão contempla a política integral de saúde da população negra, que rege sobre esse cuidado e atenção com as populações periféricas, quilombolas e os povos negros que estão na dimensão do estado.

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