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Fé, Brasil, em Ilhéus. Sábado de Aleluia e um pouco além.

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A Federação Brasil da Esperança, Fé-Brasil, formada pelos partidos PT, PCdoB e PV é uma boa novidade na política nacional. Em um mundo que vive múltiplas crises, dentre elas a ambiental e diversas outras decorrentes da emergência de uma realidade multipolar, ter no Brasil um instrumento político-eleitoral que trabalha para se constituir no núcleo de uma frente-ampla de todos os que defendem a democracia, o desenvolvimento sustentável e a justiça social é um grande trunfo. Principalmente quando temos como líder o Presidente Lula que traz em sua história a síntese de diversas lutas de nosso povo.

A unidade para a vitória dessa frente ampla democrática nas eleições municipais 2024 está no centro da tática da Fé-Brasil.

Na Bahia, onde temos o governador Jerônimo (PT), como principal referência política, essa tática se expressa na busca da construção do máximo de candidaturas unitárias possível, em especial nas grandes cidades, onde, no geral, enfrentamos mais dificuldades nas eleições de 2022. Naturalmente, onde o prefeito apoiou nosso governador, o mesmo acaba assumindo protagonismo da articulação das diversas forças que compõe a base do governo, com vistas à construção dessa unidade. Onde pode se reeleger, acaba sendo o candidato natural.

Em Ilhéus, o Prefeito Mário Alexandre (PSD) está no último ano do seu segundo mandato. Entre erros e acertos políticos e administrativos, construiu vitórias expressivas, a última com a eleição da esposa Soane Galvão (PSB) como deputada estadual com grande votação em nossa cidade.

No entanto, segundo diversas pesquisas de opinião, enfrenta várias dificuldades em seu governo, que mantém alta rejeição. Ainda assim, preserva força política relevante.

Meu partido, o PCdoB, não apoiou o Prefeito Mário em nenhuma das suas vitórias eleitorais, nem na sua derrota, quando foi candidato a vice-prefeito em 2012. Disputamos contra ele em 2016, compondo como candidato a vice-prefeito a chapa do PP, que na época fazia parte da base do governador Rui Costa (PT). Em sua reeleição, compusemos a mesma aliança, que teve como candidato a vice o dirigente do PT, Everaldo Anunciação.

Mas sempre mantivemos um diálogo construtivo, contribuindo com a atração de políticas e investimentos públicos para nossa cidade, através de nossas lideranças estaduais, como o Secretário de Trabalho, Emprego, Renda e Esporte, Davidson Magalhães, a deputada federal Alice Portugal, o deputado estadual Fabrício Falcão, o Superintendente de Economia Solidária Wenceslau Jr., dentre diversos outros camaradas. Com essa parceria, foram diversos cursos de qualificação, apoio à economia solidária, políticas de geração de emprego e renda, para mulheres, de combate ao racismo, ações e programas de esporte e lazer, etc. O mais recente, a Areninha Gustavão, ao lado da Central de Abastecimento do Hernani Sá.

Nosso vereador Cláudio Magalhães sempre foi um ator fundamental nesse diálogo.

Recentemente, em meados do ano passado, o Partido fez um movimento de maior aproximação do governo municipal, com nosso vereador passando a compor a base. A perspectiva era que nossa presença contribuía para a construção da unidade.

Consideramos esse esforço bem-sucedido, na medida em que, em fevereiro desse ano, por iniciativa do Prefeito, se estabeleceu uma mesa de diálogo com todos os partidos da base do governo do Estado.

Legítimas pré-candidaturas à sucessão se colocaram, o que consideramos positivo para o debate. Tanto do vice-prefeito Bebeto (PSB), quanto da Secretária Estadual de Educação e ex-Reitora da UESC, professora Adélia Pinheiro (PT). O prefeito já divulga também a pré-candidatura do Secretário de Gestão, Bento Lima (PSD).

Até aí, tudo normal.

Mas recentemente temos sido surpreendidos pela voracidade com o assédio escandaloso a pré-candidatos e pré-candidatas à Câmara municipal *de partidos da base,* que estão nesse esforço da construção da unidade política. Se fosse dos adversários, seria o mais natural da disputa.

Aparentemente, alguns setores sorrateiramente já decidiram que a melhor tática para o sucesso eleitoral de sua candidatura de preferência não seja a unidade da base, mas a divisão, com diversas candidaturas disputando a preferência do eleitorado, apostando, provavelmente, na supremacia de suas “fórmulas menos republicanas” para a vitória.

Na minha humilde opinião, é um grande erro. Tal postura contribui mais para fortalecer o risco de que a maioria do povo busque, como resposta a suas insatisfações com os problemas do município, alternativas que apontem ou para práticas do passado com suas dificuldades conhecidas ou para aventuras que nos tirem do contexto estadual de políticas de desenvolvimento e busca de melhorias de vida para o povo. Ademais, a República tem instituições. Que às vezes funcionam.

Enfim. São apenas reflexões. Quis a providência a sua publicação no Sábado de Aleluia, tão valorizado por nossa cultura popular. Enquanto cristão, dá pra acreditar que o Domingo de Páscoa que nos lembra da ressurreição é sempre um chamado à renovação de práticas e alianças. Mas sem esquecer que o calendário também o colocou esse ano na véspera do 1° de abril.

Rodrigo Cardoso
Presidente municipal da Fé-Brasil
Presidente municipal do PCdoB

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