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Uma eleição sob o nevoeiro da mesmice: escolheremos mais do mesmo?

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Por Caio Pinheiro

As eleições podem não ser um sopro de esperança para uma sociedade que naturalizou a desesperança na política. A julgar pela retórica de muitos candidatos, independentemente do espectro político a qual pertençam, salvo raras exceções, vemos propostas pouco consistentes e incompatíveis com as prerrogativas do cargo pleiteado. Tenderemos a escolher “mais do mesmo”? Menos apocalíptico e mais realista, temo que seja essa a realidade que nos avizinha pós eleição.

Por todos os rincões das redes sociais e espaços públicos, o sentimento de desesperança é dominante. Mesmo que otimistas incorrigíveis tencionem, a negatividade domina os comentários sobre as eleições. A sensação de incredulidade é hegemônica; e, devo dizer, há razões de sobra para isso. Como consequência, no imaginário social os políticos aparecem como verdadeiros demônios; criaturas peçonhentas, asquerosas, desajustados que só pensam em contemplar suas cobiças.

Entre sonho e realidade, nós, cidadãos esperançosos, vamos nos resignando com a aparente replicação de um presente desajustado. Em Ilhéus-Ba, a possível reeleição de Marão representa essa replicação. A reboque das obras de infraestrutura capitaneadas pelo governador Rui Costa (PT), o médico prefeito consegue “elastificar a realidade”, ou seja, sua ineficiência administrativa sorrateiramente se apropria das ações que integram a agenda do executivo estadual. E qual o motivo do sucesso dessa manipulação? Uma sociedade politicamente e culturalmente má formada.

O coronelismo resiste! A troca de favores, o compadrio, a persuasão econômica e toda sorte de subterfúgio eleitoral persiste. Acho que por isso o eleitor tenha dificuldade de diferenciar o velho do novo. Aí está o perigo; pois, pragmático, pensa o detentor do voto: para quê trocar seis por meia dúzia?! E assim caminhamos ao passado presente. Saúde, educação, saneamento básico, cultura, lazer e infraestrutura de direitos constitucionais, continuarão sendo moeda de troca.

Sob a neblina da incerteza, o próximo domingo vai se revelando morno para os ilheenses. Vejo, avergonhado, o coro da “farinha pouca meu pirão primeiro” prevalecer. Uma vez mais sepultaremos o amanhã? Penso que há de chegar o dia em que as iniquidades serão combustíveis da revolta. Contudo, por enquanto, resta perguntar quando? Com efeito, daqui desse canto escondido, onde ando escondido e escondido ando, continuo vendo nossas esperanças distanciarem-se escondidas por nossa miopia política.

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