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Jerônimo com Lula e ACM com Bolsonaro: a eleição do “com” na Bahia

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Artigo do professor Caio Pinheiro

Afora as antipatias e críticas que tenho o direito de ter e fazer ao governo Rui Costa, não é possível negar que com “Rui Correria” o Partido dos Trabalhadores (PT) chega a quase duas décadas no comando do executivo estadual baiano acumulando êxitos. Contudo, os êxitos amealhados, em parte não traduziram em realidade muitas das reivindicações históricas da esquerda baiana.

É incontestável o quanto a Bahia mudou nas duas gestões capitaneadas pelo PT. Nunca se viu tantas obras de infraestrutura e serviços públicos. Pontes, hospitais, policlínicas, revitalizações rodoviárias e obras de saneamento constituem o repertório de realizações da gestão Rui.

Contudo, se o PT inovou na forma de gerir, continuou preso ao personalismo de velhas lideranças, que, além de interditarem a semeadura de novos quadros, abriram espaço para que seus algozes lhes destronem. Parece cômico se não fosse trágico, mas o bolsonarista de primeira hora ACM Neto pode desbancar parte da esquerda nas eleições de outubro.

A sucessão Rui-Wagner não se firmou. Tentaram Otto Alencar, cacique do PSD e comandante de muitas prefeituras baianas, mas o tiro saiu pela culatra. Agora, faltando pouco tempo para as eleições, alçaram Jerônimo Rodrigues, Secretário de Educação à cabeça de chapa na eleição para o governo estadual. Só que negligenciaram a fome leonina de João Leão, vice-governador, que faz tempo deseja ocupar a cadeira do Correria. E agora?!

Enquanto doma o Leão, a cúpula da executiva baiana do PT aposta na nacionalização da eleição estadual enquanto trunfo contra ACM Neto. O contexto é propício, mesmo por que outra alternativa não há. Acredita-se que quem Lula e Rui abraçarem será eleito, replicando o que aconteceu em 2014 com o próprio Rui, então um político desconhecido.

De fato, os ares são promissores a esse tipo de persuasão política, visto que o Bolsonarismo vem dissolvendo. Quem tiver sua imagem colada ao Bolsonarismo estará em maus lençóis. E ACM Neto, mas que tente camuflar, representa o projeto bolsonarista. Enquanto do lado canhoto, considerando o que as pesquisas de intenção de voto apontam, será viável tornar Lula, Rui e Jerônimo um só.

Mas a pergunta que fica é:  o que representará a eleição de Jerônimo? Para mim espero que represente o retorno da interlocução respeitosa com as entidades representativas dos servidores públicos, bandeira cara à esquerda baiana e que até vem sendo desconsiderada.

 

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