
O museu nacional da Dinamarca anunciou recentemente que um Manto Tupinambá, remanescente do século XVII, pertencente a sua coleção etnográfica deixará seu acervo e será encaminhado em doação ao Museu Nacional no Rio de Janeiro. A peça considerada sagrada pelos indígenas está na instituição dinamarquesa, em Copenhague, desde 1689.
Esse manto tem medidas de 1,2 metro de altura por 60 cm de largura, tem um gorro e uma capa, composto de penas de guará, constituída em um único traje. Essa indumentária era usada em ocasiões formais, como assembleias, enterros de pessoas queridas entre outros rituais. O museu de Copenhague não sabe informar quem trouxe a peça sagrada para a Dinamarca nem por quê, conforme revela reportagem da Revista Piauí.
Para o vereador Cláudio Magalhães (PCdoB), da etnia Tupinambá de Olivença, primeiro vereador indígena da histórica cidade baiana de Ilhéus, no litoral sul da Bahia, que faz 489 anos nesta quarta-feira (28), o retorno do Manto Tupinambá ao Brasil marca, de maneira simbólica, a luta pela demarcação do Território Indígena do seu povo.
“Tivemos um avanço importante com a criação do Ministério dos Povos Indígenas e a nomeação de Sônia Guajajara pelo presidente Lula este ano. Estamos reconquistando parte do nosso reconhecimento e representatividade, nos fortalecendo contra o errático Marco Temporal, que passou na Câmara Federal, mas continuamos lutando para que esse retrocesso não avance”, frisou.
De acordo com Cláudio Magalhães, o Manto Tupinambá foi reconhecido por sua tia Nivalda Amaral de Jesus (Amotara), em 2000, ano em que foi comemorado o aniversário de 500 anos da invasão portuguesa ao Brasil.
“A volta do nosso manto reforça a ancestralidade do nosso povo, o primeiro a ter contato com os invasores europeus. A demarcação dos Territórios Indígenas será uma vitória da política de proteção aos Povos Originários, tanto cobrada por entidades internacionais ao Brasil, que evocam o respeito aos tratados internacionais que o nosso país é signatário”, lembrou.
“Neste momento, vejo todos esses acontecimentos e principalmente a chegada do nosso manto, como uma mensagem daqueles que ancestralizam a nossa luta, entre esses, o Caboclo Marcelino Brás, Nivalda Amotara, Pinduca, Cacique Valdenilson e tantos outros guerreiros, do passado e do presente, que representam o nosso povo”, concluiu.
Saiba mais sobre o retorno do Manto Tupinambá ao Brasil no link abaixo.
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