A IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ANGLICANA, por meio de seu Arcebispo Primaz, Dom Agostinho de Jesus, e de seu Chanceler, Frei Leão de Jesus, vem a público manifestar integral, fraterna e incondicional solidariedade ao Padre Júlio Lancellotti, presbítero católico romano, cuja vida e ministério se tornaram, ao longo de décadas, sinal eloquente do Evangelho vivo de Jesus de Nazaré entre os pobres, os excluídos e os esquecidos da sociedade.

Recebemos com profunda preocupação e dor as notícias que dão conta de novos ataques, perseguições, tentativas de desqualificação moral e de silenciamento da voz profética de Padre Júlio, inclusive culminando em seu anúncio de afastamento das redes sociais — espaço que ele transformou em verdadeiro púlpito evangelizador, onde a Palavra se fez denúncia do pecado estrutural e anúncio da dignidade humana.

Condenamos com veemência absoluta todas as perseguições sofridas por Padre Júlio Lancellotti nos últimos anos, especialmente por exercer com fidelidade radical o sacerdócio de Cristo, que se fez pobre com os pobres, marginalizado com os marginalizados e crucificado pelos poderes religiosos e políticos de seu tempo.

Como afirmou Dom Hélder Câmara, “quando dou comida aos pobres me chamam de santo; quando pergunto por que eles são pobres, me chamam de comunista”. Padre Júlio vive exatamente essa tensão evangélica.

Causa-nos ainda maior espanto e indignação o fato de que parte significativa dos ataques venha de religiosos, de diversas denominações cristãs — o que já é grave —, mas sobretudo de membros de sua própria Igreja, que deveriam reconhecer no irmão sacerdote não uma ameaça, mas um espelho incômodo do Evangelho que exige conversão.

Recordamos as palavras do arcebispo anglicano Desmond Tutu: “Se você é neutro em situações de injustiça, escolheu o lado do opressor.” O silêncio cúmplice diante da perseguição a Padre Júlio é, também, uma forma de violência.

Padre Júlio Lancellotti prestou — e continua a prestar — serviços inestimáveis ao povo em situação de rua, aos dependentes químicos, às famílias vulnerabilizadas, às vítimas da fome, da violência institucional e da indiferença social. Sua atuação vai muito além da assistência: trata-se de diaconia profética, que denuncia políticas de morte, higienização social, criminalização da pobreza e teologias desumanizadas.

Afirmamos, com clareza e sem ambiguidades, a importância do uso das redes sociais como instrumento legítimo de evangelização. Jesus pregava nas praças, nos caminhos, à beira do lago; hoje, as praças também são digitais. Padre Júlio compreendeu isso com lucidez pastoral e fidelidade evangélica.
Censurar, calar ou constranger sua presença nas redes é atentar contra o direito do povo de Deus de ouvir uma voz que clama no deserto urbano.

Rejeitamos e denunciamos toda e qualquer tentativa de censura, silenciamento ou intimidação, venha ela de onde vier. A história da fé nos ensina que os profetas nunca foram perseguidos por estarem errados, mas por estarem certos demais.

Como ensinou o teólogo anglicano John Stott, “a fé cristã autêntica sempre incomoda, porque confronta o egoísmo humano e as estruturas injustas”.

Afirmamos, com convicção teológica e espiritual: Padre Júlio Lancellotti é um verdadeiro profeta de Deus para o povo de Deus.

A profecia não pertence às instituições, mas ao Espírito Santo. Os profetas ultrapassam fronteiras confessionais, muros canônicos e limites institucionais, porque respondem antes à voz de Deus do que às conveniências humanas.

Padre Júlio, com suas palavras e práticas, tornou-se sinal profético que transcende denominações, alcançando cristãos, pessoas de outras religiões e homens e mulheres de boa vontade.

Registramos também que o amor vivido e anunciado por Padre Júlio é correspondido pelo amor do povo, que o reconhece, o respeita e o defende. Todavia, não ignoramos a ação constante de grupos e forças mal-intencionadas, movidas por ódio, ressentimento, interesses ideológicos e por uma espiritualidade adoecida, que tentam difamar, ferir e destruir sua credibilidade.

Não hesitamos em afirmar que forças maléficas ocultas, muitas vezes disfarçadas de lideranças religiosas, trabalham sistematicamente para calar sua voz profética. Contra isso, erguemos nossa palavra e nossa oração.

Recordamos as Escrituras: “Se eles se calarem, as pedras clamarão” (Lc 19,40).

Por isso proclamamos, em uníssono com Dom Hélder Câmara e com toda a tradição profética: “Não deixaremos morrer a profecia.”

Declaramos publicamente: Padre Júlio Lancellotti é patrimônio imaterial do povo de Deus — não por decreto humano, mas pelo reconhecimento popular que nasce da coerência entre fé e vida.

Todo mal dirigido contra Padre Júlio repercute diretamente no povo de Deus, especialmente nos pobres, que veem nele um pastor com cheiro de ovelhas, como bem disse o Papa Francisco. Atacar Padre Júlio é atacar o Evangelho encarnado nos becos, nas calçadas e nas vidas feridas.

CONCLUSÃO

Diante de tudo isso, a IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ANGLICANA reafirma sua total, irrestrita e amorosa solidariedade ao Padre Júlio Lancellotti. Enviamos a ele nossas preces, nossas energias de esperança, nossa comunhão espiritual e nossa palavra pública de defesa.

Conclamamos o povo de todas as religiões no Brasil, pessoas de fé e de consciência ética, a saírem em defesa de Padre Júlio, a orarem por ele, a sustentarem sua missão e a ocuparem também as redes sociais como espaço de resistência, amor e profecia.

Que Deus da Vida o fortaleça.
Que o Espírito Santo renove seu ânimo.
Que Jesus de Nazaré, o Cristo perseguido e ressuscitado, caminhe ao seu lado.

Padre Júlio, receba nossa bênção, nosso respeito e nosso amor fraterno.

A profecia vive. A profecia resiste. A profecia não morrerá.

Sede Primacial, 15 de dezembro de 2025.

✠ Dom Agostinho de Jesus
Arcebispo Primaz
Igreja Católica Apostólica Anglicana

✠ Frei Leão de Jesus
Chanceler
Igreja Católica Apostólica Anglicana