Governo do Estado da Bahia participará de Grupo de Trabalho, junto a outros 10 estados, que construirá uma proposta de Política Estadual de Gestão de Lideranças para os governadores que serão eleitos em novembro;
Na quarta-feira (03/06), aconteceu o debate inaugural do GT, com a presença de Cibele Franzese, professora da FGV-EAESP e membro do Movimento Pessoas à Frente), Paulo Hartung, ex-governador do Espírito Santo, e Francisco Silva, ex-Diretor Geral do Serviço Civil do Chile
O Governo do Estado da Bahia é um dos estados participantes do Grupo de Trabalho Políticas de Gestão de Lideranças para Estados, organizado pelo Movimento Pessoas à Frente. O GT é um espaço colaborativo, reunindo representantes de estados, especialistas da rede da organização e equipe técnica, para sistematizar problemas, mapear soluções e construir em conjunto uma proposta voltada para cargos de direção e chefia na administração pública. Uma pesquisa Datafolha feita a pedido do Movimento mostrou que 9 em cada 10 brasileiros confiariam mais no Estado se houvesse melhores processos de seleção de lideranças em governos.
Atualmente, mais de 75% dos países pertencentes à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) utilizam práticas especiais para a gestão das lideranças públicas, considerando que essa abordagem pode levar a uma maior efetividade do governo. Porém, o Brasil ainda não possui uma regulamentação nacional específica para a gestão desses servidores. As lideranças em governos ocupam diferentes posições destinadas às atribuições de direção e chefia, de livre nomeação e exoneração pelo Presidente, Governadores e Prefeitos. São cargos que comandam autarquias e fundações públicas; dirigem setores do governo, comandando equipes e projetos; e podem ser diretores de equipamentos públicos que oferecem serviços diretamente ao cidadão, como hospitais e escolas.
O documento final do GT será baseado em dados e evidências e servirá de referência para governos estaduais no novo ciclo de gestão. “Os estados são protagonistas na implementação de políticas públicas e precisam contar com lideranças bem-preparadas para enfrentar desafios cada vez mais complexos”, afirma Jessika Moreira, diretora-executiva do Movimento Pessoas à Frente. “Ao reunir diferentes experiências e evidências em uma construção coletiva, buscamos apoiar os governos estaduais na criação de modelos mais profissionais e transparentes para a ocupação de cargos de direção e chefia no serviço público”, explica.
Debate inaugural
Hoje (03/06), aconteceu o encontro inaugural do GT de Políticas de Gestão de Lideranças para Estados. O evento contou com a presença de três convidados com perspectivas complementares: Cibele Franzese, professora da FGV-EAESP e membro do Movimento Pessoas à Frente) trouxe a experiência no campo federal; Paulo Hartung, ex-Governador do Espírito Santo, a visão de quem já tomou decisões de dentro do governo; e Francisco Silva, ex-Diretor Geral do Serviço Civil do Chile, a experiência do SADP, um dos sistemas de gestão de lideranças mais consolidados do mundo.
A discussão abordou quem são as peças centrais para a implementação de políticas de lideranças em governo. “É essencial ter como ponto de partida o trabalho com as lideranças, sobretudo nos estados e municípios, onde estão cerca de 90% dos servidores públicos. É a partir daí que a reforma administrativa começa, por exemplo. Precisa falar sobre uma política que tenha como foco a contratação e o desenvolvimento dessas lideranças, de forma estruturada. Esse grupo de trabalho tem como objetivo contribuir nesse sentido”, afirmou Franzese.
Já Hartung, falou sobre a importância de lideranças capacitadas na gestão pública. “Os governos são uma escola de formação, e no Espírito Santo eu pude vivenciar isso. Melhorar o serviço público é, de certa forma, ajudar a desmontar as desigualdades que temos nos país. Quando o serviço público é entregue com mais qualidade, como na educação, na saúde ou na segurança pública, é possível oferecer mais qualidade de vida para as pessoas. O Brasil precisa de governos estruturados que tenham a capacidade de unir apoio social, apoio institucional e lideranças que tenham capacidade de atuar na área técnica e de operar com base nas questões políticas como ferramenta transformadora”, disse.
Silva complementou o debate com o caso do Chile, que pode servir de inspiração para o Brasil. “Sem dúvidas, o mais importante pilar da gestão de pessoas no serviço público é a contratação por competências, que tem impacto direto no controle da corrupção, na melhoria da qualidade do gasto público e na redução do desperdício de recursos no Estado. Os outros pilares importantes são a gestão da integridade, que significa, por exemplo, não tratar com superficialidade a existência de um código de ética nas instituições públicas; a gestão e a avaliação de desempenho, deixando para trás modelos e protocolos que atualmente não funcionam; e a ênfase nos resultados, que é a medição do sucesso do Estado pela qualidade dos serviços prestados à população”, explicou.
O Grupo de Trabalho Políticas de Gestão de Lideranças para Estados é organizado pelo Movimento Pessoas à Frente e conta com apoio da ENAP – Escola Nacional de Administração Pública, do CONSAD – Conselho Nacional de Secretários de Estado da Administração e do CONSEPLAN – Conselho Nacional de Secretários Estaduais do Planejamento.
Sobre o Movimento Pessoas à Frente
O Movimento Pessoas à Frente é uma organização da sociedade civil, plural, suprapartidária e independente, que elabora coletivamente diretrizes para uma gestão mais efetiva do Estado brasileiro. Com base em evidências, ajuda a construir e viabilizar propostas para aperfeiçoar políticas públicas de gestão de pessoas no setor público, com foco em lideranças. A rede de membros do Movimento Pessoas à Frente reúne especialistas, acadêmicos, parlamentares, integrantes dos poderes públicos federal e estadual, sindicatos e terceiro setor, que agregam à rede visões políticas, sociais e econômicas plurais.
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