Mesmo sem incentivo do poder público e da iniciativa privada, o Centro de Canoagem e Esporte Náutico de Ilhéus (CCENI) revela talentos e cumpre papel social de acolhimento na Região Cacaueira.
Cercada por rios e pelo mar, Ilhéus reúne condições geográficas ideais para se consolidar como um dos principais polos de canoagem e paracanoagem da Bahia. No entanto, o potencial natural contrasta com a dura realidade vivida pelas associações locais. Sem sede própria, sem verbas públicas e com infraestrutura limitada, o Centro de Canoagem e Esporte Náutico de Ilhéus (CCENI) mantém suas atividades graças à dedicação voluntária e ao financiamento do próprio bolso de seus gestores e apoiadores.
A história de superação é liderada por Carla dos Santos Farias, técnica em Segurança do Trabalho e técnica jurídica, que assumiu a administração do clube movida pela causa social. O projeto opera como uma associação filantrópica, sem fins lucrativos, focada no acolhimento de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social. Por meio da disciplina do esporte, o CCENI busca oferecer uma alternativa transformadora para os jovens da comunidade.
“Nossa maior dificuldade é a falta de recursos financeiros, de infraestrutura e de apoio do poder público e da iniciativa privada. Não possuímos uma sede própria e permanecemos em atividade graças a um espaço cedido para guardar nossos materiais, além de equipamentos emprestados pela Federação Baiana e pelo Clube de Remo Sizinio Barros”, relata Carla.
Talentos regionais e custos bancados do próprio bolso
Mesmo operando no limite de suas condições, o CCENI tem alcançado resultados expressivos em competições oficiais promovidas pela Federação Baiana de Canoagem (FEBAC). A associação é berço de atletas de destaque no circuito estadual, como os medalhistas Gabriel Farias de Souza e Jussara Matos. Contudo, a falta de embarcações de canoagem adequadas e de equipamentos modernos impõe barreiras ao rendimento pleno dos esportistas.
Para garantir que os jovens participem dos torneios, a maior parte da logística fica a encargo da gestão local. A alimentação nos dias de prova, referente ao café da manhã e ao almoço, é fornecida pela federação; contudo, os demais custos com deslocamento, viagens, inscrições e manutenção contínua dos atletas ainda são custeados majoritariamente pela própria gestora. “Hoje, a maior parte dos custos para viabilizar nossa participação em competições sai do meu próprio bolso, porque acredito no potencial dessas crianças e jovens e na força transformadora do esporte. O que nos falta não é dedicação nem talento; é o apoio necessário para que nossos atletas tenham as oportunidades que merecem”, destaca Carla.
Potencial econômico, social e conquistas nas águas
A escassez de investimentos na canoagem ilheense reflete um gargalo mais amplo no desenvolvimento esportivo da região. Além da inclusão social e do impacto direto na saúde da juventude, o fortalecimento dos esportes náuticos tem capacidade comprovada de impulsionar o turismo esportivo e movimentar a economia local do município.
Apesar de todas as adversidades, a determinação da equipe segue gerando grandes conquistas. Uma prova viva desse triunfo ocorreu em novembro de 2025, quando o atleta Gabriel Farias de Souza brilhou ao vencer a etapa do Campeonato Baiano de Canoagem Velocidade e Paracanoagem disputada em Canavieiras, levando o nome do CCENI e de Ilhéus ao topo do pódio. A vitória reforça o apelo da direção da associação para que empresários e o poder público se sensibilizem com a causa, garantindo o suporte estrutural necessário para que mais jovens talentos continuem conquistando espaço e transformando suas vidas pelo esporte.
Sem sede e com recursos próprios, associação de canoagem em Ilhéus luta contra a falta de apoio para transformar vidas pelo esporte
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