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O Leito de Procusto

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Por Arlicélio Paiva

Embora pouco conhecido, Procusto, filho de Poseidon – na mitologia grega este era considerado o deus do mar –, era um dos personagens mais tenebrosos e hediondos que se tem conhecimento na mitologia grega. Ele morava nas colinas de Elêusis, próximas de Ática.

Para atrair os viajantes que passavam na estrada próxima da sua casa, Procusto se comportava de modo hospitaleiro, oferecendo-lhes uma boa refeição e uma cama confortável para o descanso. Depois que o hóspede dormia, Procusto o amarrava à sua cama de ferro e o amordaçava. Caso o hóspede fosse maior do que a cama, Procusto cortava as suas pernas para que ele pudesse ficar do mesmo tamanho do leito. No caso de o hóspede ser menor do que a cama, ele o esticava para que ficasse do mesmo tamanho. Em qualquer uma das situações, suas vítimas sempre morriam.

Procusto possuía duas camas construídas caprichosamente em diferentes tamanhos para que ninguém se encaixasse perfeitamente nelas. Ele sentia enorme prazer em oferecer a cama que não era adequada ao tamanho dos seus convidados. Os hóspedes maiores eram direcionados para a cama de menor tamanho, enquanto que aos convidados menores era oferecida a cama de maior tamanho.

Na atualidade, a expressão “Leito de Procusto” é utilizada para designar pessoas habituadas a humilhar indivíduos que elas consideram mais capazes do que ela. Refere-se à maneira que o indivíduo portador da “Síndrome de Procusto” se comporta. A pessoa acometida por essa síndrome formata um mundo que é só seu, um mundo que não tem sentido e é completamente dissociado da realidade, chegando ao ponto de desenvolver transtornos mentais.

Esse tipo de pessoa não suporta conviver com alguém talentoso, que se destaca mais do que ela e, por isso, tenta de todas as formas atrapalhar o desempenho das outras pessoas. Por ter limitações de intelecto, por ser medíocre, ela não consegue crescer profissionalmente por competência própria. Por essa, razão, usa toda a sua tirania, procurando limitar o crescimento e tentando adequar a grandeza intelectual dos outros ao seu “Leito de Procusto”, nem que, para isso, tenha que perseguir e atrapalhar de todas as formas.

A simbologia de Procusto está presente nas relações sociais em diversos lugares, no seio familiar, no ambiente do trabalho, na escola e na política. Essa simbologia é representada pelo sentimento de repulsa e pela ausência de compreensão, com comportamento execrável e hostil.

O portador dessa síndrome é inseguro, intolerante, insolente, nocivo, frustrado, irracional. Sente-se inferior porque, de fato, o é. Para ele, o perigo vem de todos os lugares, mas só ele percebe. Usa a arrogância para dissimular sua incompetência. Não aceita mudanças, tampouco opiniões de outros, porque se sente dono da verdade. O sujeito procustiano fica sempre na defensiva e ataca a ameaça que só ele vê, com receio de que seja superado. O estúpido manipula a verdade para que caiba perfeitamente no seu “leito” e para que represente a realidade artificialmente criada por ele.

Infelizmente, não é raro se deparar com um ser procustiano. Basta observar atentamente pessoas que não concordam com a opinião de outras e que, por isso, tentam colocá-las no “Leito de Procusto” com a intenção de encolher a inventividade, de podar as ideias diferentes e de amputar o pensamento oposto, nem que para isso tenha que negar a ciência e todo e qualquer conhecimento cientificamente comprovado. O portador dessa síndrome possui elevadíssimo nível de idiotismo e tem pavor de que alguém brilhe mais do que ele. Ele representa a antítese do bem!

Na mitologia grega, o tirano Procusto, que torturou e matou diversos inocentes, morreu pelo mesmo método desenvolvido por ele. O herói Teseu puniu o algoz pelos seus crimes, cortando-o para que se ajustasse perfeitamente ao tamanho de uma das suas camas.

Portanto, a criatura procustiana, que tanto padecimento causa, tem que ser eliminada. Ninguém tolera a humilhação por muito tempo. Ninguém aceita ser diminuído o tempo todo. Tem que partir para o enfrentamento, tirando-lhe o poder. Certamente, não se deve utilizar dos mesmos métodos que ele, tem que se demonstrar a repulsa por esse ser, ignorando-o de todas as formas, não dando oportunidade para que ele exista.

Procusto tem que ser detido!

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