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Os 250 mil mortos importam menos do que a eliminação de Karol Conká

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Por Caio Pinheiro

Chegamos a cifra aterrorizante de 250 mil vítimas letais da Covid-19, acrescida dos 10 milhões de infectados que, embora vivos, subsistem com sequelas em muitos casos gravíssimas. Somados a esses números, estão 14 milhões de desempregados, 6 milhões de cidadãos que lutam pela subsistência na informalidade, além de aproximadamente 5 milhões que desistiram de procurar uma atividade laboral formal, menos pela indisposição para tal, e mais pelo sentimento de que esse sonho é inalcançável.

Mas, infelizmente, para alguns setores da sociedade – particularmente os que lucram com esse caos -, tudo isso são números insuflados por uma imprensa esquerdista e apatriótica. É certo que poderíamos estar contando menos mortos se tivéssemos feito e fazendo a lição de casa. Todavia, influídos pelo discurso anticientífico do presidente, mas, também, seguinte o egoísmo dos nossos desejos, subestimamos a letalidade do coronavírus, embora já conhecida dado a brutalidade com que atingiu nações que há décadas superaram iniquidades que aqui fazem parte do nosso cotidiano.

Contudo, em nossa República dirigida por bananas, a Covid-19 continua pairando na consciência tresloucada dos negacionistas como uma gripezinha. No entanto, como provam os números, a Covid-19 desconhece a palavra seletividade. Quisera eu que o coronavírus imaculasse apenas o sistema respiratório dos que ousam desafiar sua capacidade de produzir cadáveres. Creio que por justiça, sendo possível requerer consciência de um agente viral, seria justo o mesmo atacar apenas os que o subestimam.

Idealizações de lado, o fato é que começamos a arcar com o preço oneroso de decisões equivocadas. Por ideologismo barato e ineficiência administrativa, fomos para o último lugar na fila dos compradores das vacinas. A compra das vacinas que deveria ser fruto do voluntarismo estatal, mas foi transformada em palco de disputas entre executivo, legislativo e judiciário. Do outro lado, a massa de desassistidos aguarda um milagre, que, certamente, não virá de nosso Messias, já que embora tenha negado, mais parece um coveiro do que presidente.

Enquanto isso, entre likes, curtidas e compartilhamentos nossas reais desgraças vão sendo camufladas pela urgente e supostamente justa eliminação do BBB da rapper Karol Conká. Nem a prisão do deputado bolsonarista, Daniel Silveira (PSL), foi capaz de mobilizar tanto a engajamento. A pauta mais importante é a eliminação de Karol. Como ouvir de dois cidadãos, essa semana para começar e terminar com chave de ouro, terá de abrir com a eliminação daquela “nega” e findar com vitória do “mengão”. Aí, segundo esses compatriotas, com ou sem Covid a “água será certa”. E tome litrão!

Bem, de meu canto, só observo esse espetáculo de absurdos. Fica cada dia mais difícil acreditar num amanhã florido. Acontece que o ontem me mostrou tal pior como o hoje. Daí, ousar celebrar o amanhã me parece às vezes um tanto quanto patológico, já que os prognósticos são de tal forma desanimadores, que, veja, ser otimista no Brasil se tornou tão desproposital que pode sinal de um distúrbio comportamental. Acho que minha sanidade pode ser eliminada como Conká!

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