
É intrigante, mas devo reconhecer que muitos brasileiros tem uma espécie de tara pelo retrocesso. Por vezes me pego a pensar o porquê desse gosto tão estranho. Enquanto país, é certo que temos muitos problemas pendentes de resolução, mas, mesmo que existam os pessimistas de plantão, é preciso reconhecer que já tivemos avanços substanciais em todas as áreas.
Na política, apesar da intencional demonização da mesma ocorrida na última década, aos troncos e barrancos estamos aperfeiçoando nosso sistema representativo, e como viso, tudo em prol da maior democratização do acesso às instâncias legislativas e executivas. É certo que poderíamos ter avançado muito mais; contudo precisamos celebrar e preservar as conquistas.
E é nesse aspecto que reside minha inquietação, ou melhor, inquietações. Observe, a primeira constituição republicana, sancionada em 1891, portanto dois anos após a proclamação da República, efetuada em 15 de novembro de 1889, estabelecia que o voto seria universal para cidadãos brasileiros do sexo masculino a partir de 21 anos. No entanto, mulheres, mendigos, religiosos e miliares de baixa patente estavam proibidos de votar e se candidatarem a cargos eletivos.
Bem, com o estabelecimento desses critérios restritivos ao pleno exercício da cidadania política, num país onde a escravidão havia sido recém abolida (1888), e com flagrantes desigualdades sociais, além das disparidades no acesso aos espaços de poder, menos de 5% da população conquistou o direito de votar e candidatar-se. Nossa democracia nascia capenga ao excluir o povo da equação! E os problemas não pararam por aí?
O voto em si foi outro problema. Segundo a constituição de 1891, o voto era aberto; ou seja, nas seções eleitorais o eleitor não tinha privacidade ao depositar seu voto, ficando suscetível a todo tipo de persuasão. Neste ambiente, os coronéis, fazendo uso de seus jagunços e capangas, usavam expedientes violentos para garantir sua eleição e/ou dos seus aliados. Com efeito, importa lembrar que a corrupção no processo eleitoral tinha outro fator viabilizador: o voto impresso.
Contudo, de 1891 para 2021 fomos capazes de aperfeiçoar nosso sistema eleitoral. A instituição do voto secreto e a implementação das urnas eletrônicas são avanços dos quais não podemos abrir mão, visto que garantem um processo eleitoral idôneo, limpo de transparente. Daí, fica claro que os que questionam a urna eletrônica, junto com todo o restante do processo eleitoral, desejam que brechas à corrupção eleitoral sejam abertas.
Considerando o debate posto pelos adversários da urna eletrônica, o presidente Bolsonaro e aliados – principais responsáveis por colocar as urnas eletrônicas sob suspeição – podem ser vistos enquanto uma reencarnação dos velhos coronéis e seus jagunços, ou melhor, milicianos. Sobre essa ótica, desejam fertilizar o terreno do mandonismo, clientelismo, voto de curral e cabresto, que, embora subsistam, são dificultados pelo sigilo do voto e inviolabilidade das urnas eletrônicas. Enfim, só me resta pedir proteção a Exu da maldade dessa gente que se diz boa!
(73) 99982-9064








“Os extremos são viciados! A virtude está no meio!”
E porque não o boto eletrônico que saia a impressão, como é feito nas máquinas de cartão de crédito?
Dessa forma agradaria aos de esquerda e os de direita com equidade e acabaria essa celeuma.
A não ser que alguns tenham algo a esconder…
# voto eletrônico com impressão!