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Extra! Extra! Eguns zombeteiros cibernéticos fazem o General sambista viralizar!

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Por Caio Pinheiro

Dias desses, quando o ócio se fez rei, me coloquei a navegar nas redes sociais para apreciar vidas, famílias, amores e empregos perfeitos. Poderia ter relido Utopia, obra clássica de Thomas Morus, mas não querendo me sentir tão comunista, preferir à condição de fifi do ciberespaço e fui é ver a vida dosoto, como se diz em baianês. Replicando Dona Dulce – amada geminiana e fifi-mor -, minha amada mãe: oxe, tem coisa melhor?!

Lembro que antes de me aventurar nas artérias do cibermundo, compartilhei com amigos supersticiosos meu intento. Alguns sentenciaram: Caio, cuidado que há forças malignas responsáveis por selecionar os perfis e postagens que visualizamos nas redes! Fingir acreditar. Na verdade, sabia que explicar aos friends supersticiosos que essa seleção é feita por algoritmos, tratava-se de missão impossível, coisa para Tom Cruise.

Mas confesso que quase acreditei, afinal de contas os que me afirmaram esse despautério se autoproclamam homens de Deus. Daqueles predestinados à salvação antes mesmo da gozada que lhes concebeu. Foi brabo! Cheguei a imaginar que seria possuído por um “Egum Zombeteiro Cibernético do tipo Cult”. Um espírito afeito às postagens dos maconheiros esquerdopatas, como diria o capitão que não é o Philip.

Sei lá, tudo é possível! Desde que vi pastores neopentecostais denunciando a presença de satanás nas caixas de Bombom Garoto – por hora do dia das crianças -, me divorciei da descrença. Quem é doido de questionar os homens de Deus? Imagine o estrago de ser excomungado por homens do quilate de Silas Malafaia, Edi Macedo ou Valdomiro. Se acontecer, tenha certeza, esqueça o paraíso e se acostume ao inferno. Trocando em miúdos: se fudeu!

E assim enveredei. Seguindo meu jeito virginiano de ser, fui dar meu rolê no cibermundo, nem aí para as “forças malignas”. Eis então que me deparei com a nova sensação do samba carioca. Falo do General Augusto Heleno, outrora famoso coordenar das tropas da Missão de Estabilização da ONU no Haiti (Minustah), e responsável pela operação de “pacificação” da maior favela da capital haitiana, Porto Príncipe, conhecida como Cité Soleil, onde 300 homens fortemente armados invadiram o bairro e assassinaram 63 pessoas, deixando outras 30 feridas na madrugada de 6 de julho de 2005. E antes que esqueça: as vítimas eram homens e mulheres negros (as). Êta povo que gosta de matar preto!

Denunciado na Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), a partir de depoimentos de moradores constantes de um relatório elaborado pelo Centro de Justiça Global e da Universidade Harvard (EUA), Heleno seria demitido do cargo pelo então presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva. Creio que daí tenha nascida seu ódio pela estrela solitária dos petistas, há muito nem tão vermelhos assim.

Hoje ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), responsável pela inteligência do governo de Jair Bolsonaro (PSL), Heleno recentemente viralizou no cibermundo a partir de seu submundo, após circular um vídeo em que aparece parodiando uma das músicas do sambista Bezerra da Silva, na convenção nacional do PSL.

Em carioquês descompassado, cantou o senil General: “Se gritar pega centrão, não fica um meu irmão”. Na letra original lê-se, “Se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão”. Ironia à parte, agora quando o capitão-presidente está na iminência de casar-se com o Partido Liberal (PL), um dos pilares do centrão, chefiado pelo homem de bem Valdemar Costa Neto – condenado por corrupção passiva ratificada pelo pleno supremo-, acho que Heleno poderá viralizar novamente cantando a versão original do samba durante o ato de filiação de Bolsonaro ao PL, mesmo sabendo que poderá provocar uma debandada generalizada. Desejo sucesso ao General. Enfim, viva ao samba, essa delícia rítmica concebida pelos pretos!

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