A mobilização de lideranças indígenas Tupinambá e Pataxó em Salvador, no último 14 de maio, reafirmou a urgência de políticas públicas estruturantes para os povos originários do Território Litoral Sul da Bahia. A caravana reuniu representantes comunitários, associações e lideranças tradicionais para denunciar a histórica negligência do Estado e cobrar ações concretas voltadas à garantia de direitos territoriais, sociais e culturais.

Representando a Associação Acatiara, Adriana Bonfim participou das agendas como voz das mulheres tupinambás, reforçando o papel central destas na organização política e na defesa dos territórios ancestrais. Entre as principais pautas apresentadas estiveram a demarcação de terras, o fortalecimento da saúde indígena, a educação intercultural e investimentos em infraestrutura que respeitem os modos de vida e os saberes tradicionais.

Pelo povo Pataxó, o Instituto Som Pataxó esteve representado por Elkesom, que destacou a necessidade de construção de políticas públicas elaboradas com participação direta das comunidades. A crítica central foi à lógica histórica de decisões impostas sem escuta dos povos, o que aprofunda vulnerabilidades sociais e compromete direitos básicos como segurança alimentar, saneamento e educação conectada à língua e à memória ancestral.

A presença do Cacique Sussuarana deu ainda mais força política ao encontro, denunciando os impactos da especulação imobiliária, da grilagem e da exploração predatória sobre o território de Olivença — região marcada pela forte pressão turística e econômica, justamente por concentrar áreas litorâneas e remanescentes de Mata Atlântica. Para as comunidades, a defesa da terra não é apenas uma disputa fundiária, mas a garantia da continuidade da vida, da cultura e da soberania alimentar.

Após a agenda institucional, a caravana participou do lançamento da pré-campanha de Wenceslau Jr., evidenciando a compreensão de que a luta indígena também passa pela ocupação dos espaços de decisão política. Mais do que reivindicar direitos historicamente negados, as lideranças apresentaram propostas concretas para o desenvolvimento sustentável do território: demarcação, saúde intercultural, educação bilíngue, proteção costeira e geração de renda associada aos conhecimentos tradicionais.

Texto: Lis Fonseca – 15/05/2026 às 10:30h