Soldagem de tubos de aço e fabricação de componentes marcam a nova fase da obra, executada por profissionais brasileiros, com participação crescente de mulheres em atividades especializadas

O canteiro de São Roque do Paraguaçu, no município de Maragogipe, vive uma das fases mais importantes da implantação da Ponte Salvador-Ilha de Itaparica. No local, avançam simultaneamente a soldagem dos tubos de aço, a fabricação das estruturas metálicas e a preparação dos componentes que serão transportados por via marítima até as frentes de trabalho na Baía de Todos-os-Santos. Soldadores, caldeireiros e inspetores de solda brasileiros atuam na produção das estacas e de outros equipamentos que darão sustentação às plataformas utilizadas durante a execução das fundações da ponte.

Além das estacas metálicas, o canteiro produz diversos componentes que integrarão as plataformas de trabalho, como vigas de apoio, painéis metálicos, sistemas de contraventamento, pontos de ancoragem e outras peças fundamentais para as próximas etapas da construção.

O gerente-geral de construção da CCCC Second Harbor, empresa integrante do consórcio construtor do empreendimento, o engenheiro Francisco Miguel Alves, destaca que São Roque do Paraguaçu desempenha um papel estratégico para o andamento da obra. “Esse canteiro funciona como o coração logístico da implantação da ponte. É aqui que transformamos a matéria-prima em estruturas prontas para serem embarcadas e utilizadas nas frentes de trabalho no mar. A produção em solo, aliada à estrutura portuária do canteiro, garante o abastecimento contínuo das operações marítimas e contribui para o avanço das próximas etapas do empreendimento”.

Precisão e controle de qualidade

A fabricação das estacas exige elevado nível de precisão técnica. Os tubos de aço, com diâmetros que chegam a 1.400 milímetros, são unidos por processos de soldagem executados de acordo com rigorosas Especificações de Procedimentos de Soldagem (EPS). Todo o processo é acompanhado por inspetores especializados, responsáveis por verificar a qualidade das soldas e assegurar o cumprimento dos padrões técnicos exigidos para uma obra dessa complexidade.

“Após a fabricação, as juntas soldadas são submetidas a ensaios por ultrassom, capazes de verificar a integridade interna da solda, enquanto reforços e olhais de içamento recebem testes por líquido penetrante para identificar eventuais imperfeições superficiais. Caso qualquer desconformidade seja identificada, a solda é reparada e novamente inspecionada. Somente os componentes aprovados em todas as etapas do controle de qualidade são liberados para embarque”, explica Francisco Miguel.

Mão de obra brasileira e protagonismo feminino

Toda a fabricação das estruturas metálicas é realizada por profissionais brasileiros especializados, entre eles soldadores, caldeireiros e inspetores de solda, com forte participação de trabalhadores contratados na Bahia, especialmente na região do Recôncavo. A equipe reúne profissionais com ampla experiência em grandes empreendimentos industriais e de infraestrutura e também vem ampliando a presença de mulheres em funções que exigem elevado grau de especialização e precisão técnica.

Uma dessas profissionais é a soldadora Efigênia dos Santos, moradora de Maragogipe e com mais de 20 anos de experiência na indústria. Ao longo da carreira, atuou em grandes empreendimentos, como plataformas do setor de petróleo e gás, a ampliação do Porto de Salvador, as obras do metrô e o Polo Industrial de Camaçari. Hoje, integra a equipe responsável pela soldagem dos tubos de aço utilizados na construção da ponte.

Para ela, participar da obra representa um motivo de orgulho e uma grande responsabilidade. “A soldagem da estrutura metálica exige muita precisão, responsabilidade e qualidade. Estamos trabalhando em uma estrutura que vai suportar grandes cargas, por isso cada solda precisa ser executada com muito cuidado e por profissionais qualificados. Como mulher, me sinto muito feliz por fazer parte desse empreendimento, que é importante para a Bahia, para o Brasil e tem relevância internacional. Também fico feliz por estar ajudando a abrir portas para que mais mulheres ocupem espaço na indústria e em profissões como a soldagem, onde ainda somos minoria.”

Outra integrante da equipe é Verônica Santos Mercês, moradora de São Roque do Paraguaçu e a primeira mulher a ingressar na equipe de soldagem da Ponte Salvador–Ilha de Itaparica. Soldadora há 14 anos, ela conta que decidiu fazer parte da obra desde o anúncio do empreendimento e espera que sua trajetória incentive outras mulheres a seguir a mesma profissão.

“Quero dizer às mulheres que desejam trabalhar na soldagem para não desistirem. Quando anunciaram a construção da ponte, eu já sabia que queria estar aqui e hoje tenho muito orgulho de fazer parte desse projeto. Assim como a oportunidade chegou para mim e para outras colegas, tenho certeza de que também chegará para muitas outras que esperam uma oportunidade de mostrar sua capacidade.”

Para o gerente de Relação Institucionais e porta-voz da Concessionária, Carlos Prates, a presença de mulheres em uma atividade historicamente masculina representa uma transformação importante para o setor da construção pesada e demonstra que competência técnica e qualificação são os critérios que orientam a formação das equipes do empreendimento. “A construção da Ponte Salvador–Ilha de Itaparica reúne profissionais altamente qualificados, independentemente de gênero. É motivo de satisfação ver cada vez mais mulheres ocupando funções especializadas, como a soldagem, que exigem precisão, responsabilidade e excelência técnica. Além de fortalecer a engenharia nacional, essa participação contribui para ampliar oportunidades e inspira outras profissionais a ingressarem em um segmento que vem se tornando cada vez mais diverso e inclusivo”.