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A estiagem bolsonarista e a eleição de Marão: entre alegrias e desgraças da democracia!

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Por Caio Pinheiro

A estiagem do bolsonarismo é realidade inquestionável. Seu malabarismo retórico da anti-política perdeu elasticidade nas urnas. Como esperado, sua agressividade discursiva não se traduziu em gestões exitosas; então, o povo lhe negou perdão nas urnas. O capitão-presidente a cada dia se mostra um engodo indefensável. Pelas ruas do ciberespaço os gritos dos bolsonaristas mais agressivos transformaram-se em sussurros acanhados. Parece que os robôs e as arminhas foram incapazes de promover nascedouros de votos em favor dos “homens de bem”.

Em Ilhéus, algo estranho aconteceu! O governador Rui Costa (PT) ganhou o executivo municipal sem concorrer. A força das circunstâncias beneficiara a reeleição de Mário Alexandre. Capitaneando um navio desgovernado, nosso chefe do executivo municipal foi arremessado à praia por uma corrente inerente ao seu governo. Falo da eficiência administrativa do governador “correria” que, embora traidor do funcionalismo público, tem se mostrado elogiável nas ações de infraestrutura.

Seria leviano e passível de questionamento judicial afirmar que recursos públicos financiaram a campanha vitoriosa, mas, um fato, ninguém pode questionar: a máquina foi de tal forma inflada que ao explodir liderou centenas de votos convenientes em favor do médico-prefeito. O fato é que agora teremos de amargar mais quatro do “mais do mesmo”. Com efeito, há um componente novo nesse jogo de xadrez. Refiro-me a Bebeto Galvão, um político experimentado e pouco disposto a ser coadjuvante.

Julgando pela sua trajetória política, Bebeto dificilmente terá a complacência pacificadora de José Nazal, em breve, ex-vice-prefeito de Marão. O PSB de Bebeto ganhou musculatura nesse pleito e quer ser uma das forças protagonista em 2022, quando espero que possamos jogar Bolsonaro no lixo da história. Pode parecer paradoxal essa conjectura, mas, mesmo Bebeto e seu PSB sedentos de prestígio e visibilidade eleitoral, dificilmente alterarão o jeito bonachão do governo Marão.

De outro lado, no legislativo a correlação de forças pode ser alterada a médio prazo. O PT elegeu dois vereadores (Enilda e Augustão) e o PCdoB um vereador (Cláudio Magalhães). Os três quadros prometem um mandado propositivo. À despeito da manutenção de alguns nomes parasitários, houve de certa forma uma oxigenada num legislativo amorfo e dificilmente proposto a extrapolar as demandas institucionais.

Enfim, aos troncos e barrancos podemos celebrar a festa da democracia. Incompleta, frágil, inconsistente, desesperançada, vilipendiada e quase sepultada, com todos esses desagradáveis predicados ainda penso que no domingo que passou celebramos a democracia. Agora chegou o momento mais importante: precisamos lembrar pelos canais disponíveis os eleitos das promessas que nos fizeram para obter nossos sagrados votos. Viva a democracia!

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