A declaração explosiva surgiu no contexto do indiciamento do ex-presidente pela Polícia Federal na Operação Contragolpe
A ex-deputada federal Joice Hasselmann, que já foi uma das mais fervorosas aliadas do ex-presidente Jair Bolsonaro, o classificou, meses atrás, como “um bandido perigoso, capaz de qualquer coisa”. A declaração, feita em suas redes sociais, ganhou peso e ressonância em um momento crucial para Bolsonaro, que havia sido indiciado pela Polícia Federal (PF) no âmbito da Operação Contragolpe.
A frase, que circulou amplamente nas plataformas digitais, refletiu a profunda ruptura política e pessoal entre Joice Hasselmann e o clã Bolsonaro, iniciada em 2019. Na época, a ex-deputada, que chegou a se autodenominar “Bolsonaro de saias”, rompeu com o governo após desentendimentos na liderança do PSL na Câmara. A partir de então, ela passou a ser alvo do que chamou de “gabinete do ódio” e “estupro moral” nas redes sociais.
O Contexto da “Operação Contragolpe”
A mais contundente acusação de Joice Hasselmann estava diretamente ligada às conclusões da Polícia Federal. A Operação Contragolpe investigou a articulação de um plano para impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de seu vice, Geraldo Alckmin (PSB), após as eleições de 2022.
O relatório da PF, que culminou no indiciamento de Bolsonaro e de outros 36 indivíduos, incluindo militares de alta patente e ex-ministros, apontou que o ex-presidente “planejou, atuou e teve o domínio de forma direta e efetiva” nos atos da organização criminosa que visava a abolição do Estado Democrático de Direito.
Entre as evidências colhidas pela PF, destacaram-se:
Minuta do Golpe: A existência de um decreto presidencial, elaborado com o auxílio de um “núcleo jurídico”, que previa a decretação de Estado de Defesa no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a criação de uma Comissão de Regularidade Eleitoral. O documento, segundo a PF, teve diversas versões, sendo uma delas com a ordem de prisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, a pedido de Bolsonaro.
Plano de Execução: O documento intitulado “Punhal Verde e Amarelo”, impresso no Palácio do Planalto, que detalhava um plano para a execução de Lula, Alckmin e Moraes, com data marcada para 15 de dezembro de 2022.
Apoio Militar: A apresentação da minuta do decreto golpista aos comandantes das Forças Armadas por Bolsonaro, em busca de apoio para a consumação da empreitada criminosa.
Joice Hasselmann, ao citar a Operação Contragolpe, afirmou que as investigações da PF apenas confirmaram o que ela vinha denunciando desde 2019. “Há provas cabais de que Bolsonaro sabia, ajudou a arquitetar e botou todo o seu entorno para costurar o que seria um golpe”, declarou a ex-deputada, reforçando a alegação de que o ex-presidente era um indivíduo sem limites.
O Rompimento: De Aliada a Crítica Ferrenha
O histórico de Joice Hasselmann com Bolsonaro foi marcado por uma transição abrupta de lealdade para oposição. Eleita deputada federal em 2018 com a maior votação do país, sob a bandeira do bolsonarismo, ela rapidamente ascendeu à liderança do governo no Congresso.
O ponto de inflexão ocorreu em outubro de 2019, durante a disputa pela liderança do PSL na Câmara, quando Joice se opôs à tentativa de Eduardo Bolsonaro de assumir o posto. A partir desse momento, ela se tornou alvo de ataques coordenados, que incluíram a disseminação de notícias falsas e montagens pornográficas, o que a levou a protocolar um pedido de impeachment contra Bolsonaro em abril de 2020.
A declaração de que Bolsonaro era “capaz de qualquer coisa” não foi apenas uma crítica política, mas um reflexo da percepção de Joice sobre a índole do ex-presidente, moldada pela convivência e pelo posterior rompimento. A ex-deputada, que se disse perseguida e grampeada por “somente dizer a verdade”, utilizou o relatório da PF como validação de suas denúncias anteriores sobre o caráter e as ações do ex-presidente.
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