Violação do dispositivo de monitoramento, que teria sido tentada com uso de “materiais de soldagem”, foi um dos argumentos centrais para a prisão preventiva do ex-presidente.
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tentou violar a tornozeleira eletrônica que utilizava, com a intenção de remover o dispositivo de localização e, possivelmente, empreender uma fuga. A informação consta na decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, que decretou a prisão preventiva do ex-presidente na madrugada deste sábado (22).
A suposta tentativa de violação do equipamento de monitoramento eletrônico foi registrada pelo Centro de Integração de Monitoração Integrada do Distrito Federal (CIME) à 0h07min do dia 22 de novembro de 2025 . Segundo relatos de investigadores, a violação foi considerada grave e houve uma tentativa de arrancar a carcaça da tornozeleira utilizando “materiais de soldagem”, o que indica o uso de uma fonte de calor para danificar o dispositivo.
O episódio de violação foi um dos argumentos centrais utilizados por Moraes para justificar a necessidade da prisão preventiva. Na decisão, o ministro foi enfático ao ligar a ação do ex-presidente a um plano de evasão:
A informação constata a intenção do condenado de romper a tornozeleira eletrônica para garantir êxito em sua fuga, facilitada pela confusão causada pela manifestação convocada por seu filho”.
A tornozeleira eletrônica precisou ser trocada com urgência. A violação foi constatada à 1h09, e um novo equipamento já estava em funcionamento à 1h15, segundo apuração de fontes jornalísticas.
Risco de Fuga e a Vigília Convocada
A decisão de Moraes também ressaltou o elevado risco de fuga de Bolsonaro, citando a convocação de uma vigília pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em frente à residência do ex-presidente. Para o ministro, a aglomeração poderia criar um “ambiente propício para sua fuga, frustrando a aplicação da lei penal”.
Além disso, Moraes mencionou a proximidade do condomínio de Bolsonaro com o Setor de Embaixadas Sul, em Brasília, e relembrou o episódio em que o ex-presidente permaneceu por duas noites na Embaixada da Hungria em fevereiro de 2024. O ministro destacou que investigações anteriores já haviam revelado que Bolsonaro chegou a planejar uma fuga para a Embaixada da Argentina com a intenção de pedir asilo, o que reforça a preocupação com a possibilidade de evasão.
A Lei de Execução Penal estabelece que o monitorado tem o dever de zelar pelo funcionamento do equipamento e deve “abster-se de remover, de violar, de modificar, de danificar de qualquer forma o dispositivo de monitoração eletrônica ou de permitir que outrem o faça” [3]. O descumprimento desta regra pode levar à revogação da medida cautelar e à decretação da prisão.
Repercussão e Defesa
A prisão preventiva de Bolsonaro não está relacionada ao início do cumprimento de sua pena de 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado, mas sim à necessidade de garantir a ordem pública e a aplicação da lei penal, conforme a decisão de Moraes.
Aliados do ex-presidente, como seu irmão Renato Bolsonaro, negaram a violação da tornozeleira eletrônica. A defesa de Bolsonaro, por sua vez, teria até a segunda-feira (24) para questionar a condenação no STF.
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