Entre sombras, sons e questionamentos existenciais, o espetáculo de teatro de sombras “O Papeleiro”, com texto de Pedro Albuquerque e direção de Naiara Gramacho, estreia em Ilhéus e circula por quatro espaços culturais da cidade, entre os dias 11 e 14 de junho. A classificação é livre e a entrada é gratuita.

Realizada a partir do teatro de sombras – arte milenar que consiste em contar histórias projetando silhuetas contra uma tela iluminada  –  a peça conta com a atuação de João Lopez que encena um professor que, diante das rápidas transformações tecnológicas do mundo contemporâneo, se vê atravessado por uma inquietação fundamental: afinal, o que nos torna humanos? Em uma realidade cada vez mais marcada pela presença das inteligências artificiais, o personagem inicia uma jornada de reflexão sobre identidade, criação, memória e pertencimento.

Combinando narrativa, sonoridade e audiovisual, “O Papeleiro” estreia em Ilhéus no dia 11 de junho, no Terreiro Matamba (bairro da Conquista) e seguirá no dia 12 para o Galpão X – Casa da Capoeira de Ilhéus (Centro, próximo ao terminal urbano); no dia 13 na Casa Vento Norte, no bairro São Domingos; e encerra no dia 14 de junho, no Espaço A-rrisca, na Sapetinga.

Para Pedro, que escreveu o texto, a obra nasceu do desejo de provocar reflexões sobre a relação entre seres humanos e as novas tecnologias. “Como seria se os papéis perdessem a importância? As inteligências artificiais estão, cada vez mais, presentes no cotidiano da humanidade. Debater este tema é necessário para possibilitar o questionamento sobre a essência da humanidade. No espetáculo, trazemos a reflexão sobre que nos faz únicos e como as novas tecnologias podem ser integradas às nossas vidas sem perdermos a nossa identidade criadora e existencial. Além disso, ao produzir este roteiro, eu quis brincar com a nossa dependência por papéis, como documentos, comprovantes que guardamos, por exemplo”, conta. “A parceria com Naiara Gramacho trouxe também um olhar para o lugar do ser humano para além das comprovações e necessidades externas. Tentar aceitar-se sem precisar provar ser quem se é”, completa.

A diretora Naiara comenta que, desde que viu o texto pela primeira vez, há mais de 10 anos, quando o tema ainda parecia ser sobre um futuro distante, queria ajudar a colocá-lo no mundo, e o teatro de sombras surgiu como essa possibilidade nesse momento. “Pra mim o espetáculo traz muito mais do que as reflexões sobre as inteligências artificiais, mas sim, um encontro com a presença, com a essência que vai além de qualquer papel. É sobre sair dos pensamentos sobre futuro que geram ansiedade e medo, e se voltar para dentro”, afirma.

O espetáculo conta com desenho de som de Eli Arruda, colaboração cênica de Felipe Olliver e Pedro Albuquerque, que também empresta sua voz ao personagem, além da produção audiovisual, design e fotografia de Mariana Cabral, e manipulação de Naiara Gramacho.

Este projeto foi contemplado nos Editais da Política Nacional Aldir Blanc Ilhéus e tem apoio financeiro da Prefeitura Municipal de Ilhéus, por meio da Secretaria de Cultura, via PNAB, direcionada pelo Ministério da Cultura – Governo Federal.

Saiba mais em @naiaragramacho.arte.

Fotos de divulgação: Mariana Cabral