Mais de 25 mil trabalhadores e trabalhadoras paralisaram obras que somam R$ 40 bilhões em investimentos

Com nova assembleia marcada para esta quarta-feira (3), a greve dos trabalhadores da construção pesada da Bahia segue por tempo indeterminado, paralisando grandes obras de infraestrutura em todo o estado. A decisão foi tomada na última segunda-feira (1º) de forma unânime, após impasse nas negociações da Campanha Salarial 2026.

O movimento atinge empreendimentos estratégicos como o VLT de Salvador, a duplicação da BA-001 em Ilhéus, a ponte sobre o Rio Jequitinhonha, em Itapebi, a duplicação da BR-116 e parques de energias renováveis.

“A categoria demonstrou durante todo o processo disposição para o diálogo e para a construção de um acordo equilibrado. No entanto, o que encontramos foi uma proposta insuficiente e a tentativa de retirar
direitos conquistados ao longo de décadas de luta. Os trabalhadores não aceitarão retrocessos. A greve é uma resposta legítima à falta de respeito e valorização da nossa
categoria”, afirmou Irailson Gazo, presidente do Sintepav-Ba.

Os trabalhadores reivindicam reajuste de 7%, cesta básica de R$ 650 e manutenção integral de todas as cláusulas sociais da Convenção Coletiva de Trabalho. O sindicato patronal, entretanto, ofereceu apenas reposição da inflação (3,36%) parcelada em duas vezes e congelamento da cesta e do vale-alimentação, além da retirada de direitos como aviso prévio indenizado, contrato de experiência de 30 dias e acompanhamento sindical nas eleições da CIPA.

Dados da Secretaria da Fazenda da Bahia indicam que o estado é líder nacional em investimentos em infraestrutura, com R$ 4,12 bilhões aplicados entre janeiro e agosto de 2025, superando São Paulo.

O Sintepav reitera que enquanto não houver avanços nas negociações, a mobilização continuará em todo o estado.